O Zahir – Paulo Coelho

Literatura nacional

O livro

Obra do escritor brasileiro Paulo Coelho, O Zahir é uma publicação da editora Rocco. Publicado em 2005, o livro possui em torno de 320 páginas de um gênero romântico e com uma pegada espiritual, inspirado na tradição islâmica e em um conto de Jorge Luís Borges, criando paralelos entre a vida do autor e a vida do protagonista.

Sobre a obra

A narrativa se dá através do personagem protagonista e sãs visões um tanto quanto filosóficas da vida. O protagonista é um escritor famoso por suas publicações sobre o amor e a espiritualidade, do qual não nos é revelado o nome. O escritor é casado com Esther, uma bela mulher, na casa dos 30 anos e jornalista bem sucedida. Os dois estão casados a 10 ano, até que Esther – após voltar de uma de suas viagens de trabalho onde é correspondente de guerra – em um dia como qualquer outro, desaparece, sumindo apenas seu passaporte mais nada, e o motivo deste sumiço vai se revelando conforme o livro vai se desenvolvendo. A passagem de tempo não é muito explicita, mas o autor cita em partes do texto a data ou o tempo, para que possamos entender, e com isso vem o notável desenvolvimento do personagem que não seria possível da noite para o dia – todo o enredo do livro se passa em pouco mais de dois anos.

A história então narra a vida do escritor antes da fama, depois de ter fama, antes de se casar com Esther, durante seu casamento e principalmente depois que a mesma some, tudo de maneira aleatória, como se fosse uma conversa ou um quebra-cabeças, buscando disseminar outras boas histórias, como mitologias, conhecimentos gerais e até filosofia. O título do livro por sua vez, é um meio de definir o que o desaparecimento de sua mulher se torna para este escritor, mostrando a forma obsessiva em que pensa nela.

Zahir então é uma palavra de origem árabe que é traduzida de acordo com a filosofia islâmica como um conceito daquilo que é visível, aparente e exotérico (que se manifesta de modo externo). (Fonte: http://www.significados.combr)

Inspirado na interpretação do conceito de Zahir criada pelo escritor argentino Jorge Luís Borges, Paulo Coelho deu vida a uma história e a um personagem escritor, que em alguns aspectos, se assemelha ao próprio Paulo Coelho.

“algo que uma vez tocado ou visto, jamais é esquecido – e vai ocupando o nosso pensamento até nos levar a loucura.”. (Livro “El Aleph”, 1949 – Jorge Luís Borges).

Minha opinião

Comprei este livro pelo valor de dois reais no verão de 2011, e lembro que não gostei de lê-lo na época – aos quatorze anos não tinha “maturidade” para entender a mensagem da história e assim os fatos e consequências para mim não faziam muito sentido. Este ano como resolvi reler muitos livros, pós sete anos então, eis a releitura de O Zahir, mas sempre que faço uma releitura, a história parece se arrastar demais – na minha opinião considero isto normal pois ler algo que de certa forma te decepcionou inicialmente, do qual você já conhece o final, perde a graça mesmo – entretanto, penso também que da pra prestar mais atenção aos detalhes da história e tirar uma nova impressão mais definitiva sobre a trama toda.

Por isso, ao contrário de antes, considero agora O Zahir como uma boa história. Trata o amor como algo muito além do que uma vida a dois ou declarações, e busca através de certos conceitos religiosos e filosóficos – neste caso do islamismo – trabalhar pontos de reflexão na vida de qualquer ser humano. A exemplo, trago dois trechos:

“[…] liberdade não é a ausência de compromissos, mas a capacidade de escolher – e me comprometer – com o que é melhor para mim.”

“Se eu reajo da maneira com que as pessoas estão esperando que faça, eu me torno escrava delas. É preciso um controle gigantesco para evitar que isso aconteça, porque a tendência é sempre estar pronto para agradar alguém – principalmente a si mesmo.”.

O autor

Paulo Coelho é um escritor, letrista e jornalista brasileiro, nascido no Rio de Janeiro em 1947. Seu trabalho é reconhecido no mundo, tendo seus livros traduzidos em mais de 150 idiomas. É membro da Academia Brasileira de Letras e coleciona diversos prêmios nacionais e internacionais. Sua obra mais famosa, chama-se O Alquimista, sendo autor de outras obras como Brida, As Valkírias, Veronika decide morrer, dentre tantas outras.

Sua opinião

Paulo Coelho tem em seus livros um modo de ver as coisas, e nesta obra este modo está conectado com o lado espiritual do ser humano e sua necessidade de sair da zona de conforto para progredir – segundo trechos do livro. Não é preciso ter lido este livro para saber se portar sobre o assunto, portanto, quero saber, você sabe se está em zona de conforto?

Enquanto houver vida viverei – Julio Emílio Braz

Literatura nacional

O livro

Enquanto houver vida viverei somente pelo título já demonstra sua intenção. É uma história do autor Júlio Emílio Braz, caracterizada como literatura infanto-juvenil e publicado pela FDT em 1992 (2 ª edição) contendo um pouco mais de 60 páginas e incluindo um “roteiro de leitura” com algumas perguntas sobre a história.

Sobre a obra

A história é sobre um garoto que aos 18 anos, enquanto fazia uma corrida de moto pela cidade, sofre um acidente e precisa de uma transfusão de sangue no hospital por conta da gravidade do acidente. Dois anos depois, Tinho – nome dado pelo autor ao personagem (e narrador) – descobre que durante a transfusão de sangue, recebeu um sangue contaminado com o vírus HIV.

A partir de então, a história realmente começa, mostrando todo o drama que envolve a doença, assim como o preconceito com os aidéticos e os medos de convivência. É uma história bem didática, que além de falar sobre a AIDS, abrange toda a vida de um aidético e das pessoas que estão em volta.

Minha opinião

Trata-se de um livro bem curto, mas bem eficiente para gerar informação. Trata de subtemas como o preconceito das pessoas com quem contrai a doença, relacionando o porte ao homossexualismo ou drogados, e é claro que estes dois grupos são considerados os chamados “grupo de risco” ou pelo menos eram, mas isso não significa que sejam os únicos meios de transmissão.

Não a como falar muito do livro sem acabar gerando algum tipo de spoiller, o que é um pouco triste, já que o a história é muito boa, e muito informativa, sendo eficiente para o leitor que não conhece muito sobre a doença e também para quem já tem – creio eu que é uma história que pode dar muita identificação e automotivação.

Há uma informação sobre AIDS que consta no livro, dentre as diversas existentes que eu gostaria de citar aqui, que eu considero indispensável, e que está explicada de uma forma bem simples:

“O que é AIDS?

A AIDS, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é uma doença provocada por vírus. Vírus é uma minúscula partícula infectante que penetra e se multiplica nas células do organismo. Muitas doenças são causadas por vírus: a gripe, a poliomielite, a rubéola, entre outras. A AIDS, entretanto, é uma doença viral que não tem cura nem vacina para preveni-la, pelo menos por enquanto.

O que causa a AIDS?

O vírus da AIDS tem como característica atacar células essenciais à defesa do organismo, os glóbulos brancos, além do tecido nervoso. O vírus provoca a destruição dos linfócitos, um dos tipos de glóbulos brancos responsáveis pela defesa do nosso corpo contra as infecções.

O organismo atacado pelo vírus da AIDS pode ficar incapaz de se defender, o que permite o desenvolvimento de infecções pelos chamados germes oportunistas, como fungos, protozoários etc., que existem no organismo, mas que normalmente não causam infecção. As infecções pela AIDS atacam especialmente os pulmões, o intestino, o sangue e a pele. É a multiplicação dessas infecções que coloca em perigo a vida do doente com AIDS.”

Vale também escrever aqui que a AIDS não é transmitida pelo convívio social, ou seja, um beijo (saliva) não transmite a doença, assim como morar com um aidético ou abraçar um. O contato só é possível através do contato direto com o sangue ou em relação sexual sem proteção. Outros modos de contágio é nascer com o vírus (no caso, a mãe deve ser portadora) ou em transfusão de sangue e compartilhamento de objetos como seringas – objetos estes que tenham contato direto com o sangue.

Como um portador de HIV pode permanecer assintomático por anos, ou seja, não desenvolver os sintomas da doença, cabe a todos, se protegerem para evitar uma multiplicação indesejada da doença sem querer.

O autor

Júlio Emílio Braz é mineira, nascido em Manhumirim, Minas Gerais, e começou sua carreira profissional por volta dos vinte anos de idade. Ele é um ilustrador e escritor de inúmeras outras histórias infanto-juvenis com esta mesma pegada mais didática.

Sua opinião

A AIDS infelizmente ainda não tem cura, mas alguns preconceitos em relação a doença tanto por parte de quem a tem, como por parte de quem não a tem, estão sendo quebrados. Eu nunca conheci pessoalmente alguém que tivesse, não que eu saiba pelo menos, mas eu entendo que falar sobre a doença é uma ação necessária considerando os índices de infecção. Então, como você acha que estamos nos desenvolvendo em relação a doença?

Navegue a Lágrima – Leticia Wierzchowski

Literatura Nacional

O livro

Navegue a Lágrima é um livro escrito por Leticia Wierzchowski, caracterizado como um romance brasileiro, publicado em 2015 pela editora Intrínseca. É uma história de mais ou menos 205 páginas, cheia de frases reflexivas, por assim dizer.

O livro é uma narração, ou melhor, uma história contada e escrita, através do olhar de uma única pessoa, que vai mesclando a sua vida, com a vida da família a qual ela conta a história – uma história que é inicialmente datada de 1972. Vamos entender melhor a seguir.

Sobre a obra

Heloisa é uma mulher que trabalha em uma editora de livros em São Paulo, onde aos 22 anos conhece uma escritora pela qual se encanta pelo jeito de ser da mesma. Anos depois e diversos acontecimentos depois, Heloisa acaba por comprar a casa de férias da família daquela tal escritora, que aqui, Heloisa chama de família Berman – Laura Berman (a escritora), Leon Berman (o marido e curador de artes plásticas) e seus dois filhos – Daniel (o mais velho) e Max (o mais novo). Toda a história começa, com a compra da casa.

Nossa narradora resolve escrever sobre a vida dos Berman e sobre sua própria vida, após traumas como uma separação pós onze anos de casamento e a perda de um segundo amor. Heloisa possui um filho, já crescido quando resolve se mudar para esta casa no Uruguai e se aposentar. A casa não é mais da família Berman porque eles, assim como Heloisa, tiveram uma separação no casamento, e o lugar, continha lembranças demais.

Entre aberturas de caixas, drinques, pertences e memórias dos antigos moradores desta casa, a ex-editora se vê perdida em um cenário de histórias marcadas pelo amor e perdas, e divididas pelo tempo. A sinopse, escrita no livro, cita:

“Aos poucos, enquanto revira baús, ela mergulha no universo conflituoso da escritora, descobre pequenas traições cotidianas e o inexorável desgaste realizado pela passagem do tempo nas relações mais sólidas. Essa compreensão permite que, lentamente, Heloísa consiga enfrentar seus próprios fantasmas e desvelar a história de uma grande paixão.”

Minha opinião

Navegue a Lágrima é um livro muito bem escrito – fiquei com vontade de ler outros livros da autora – e me chamou a atenção inicialmente por não ser escrito em letra preta, mas sim, em um tom de azul, e ter o cabeçalho, bem maior que o normal de outros livros. A separação de capítulos também é bem interessante. De segundo momento (porque sim, a estética do livro me chama atenção primeiro) eu fui ler a sinopse e considerei bem interessante.

Eu considero um livro diferente, talvez porque eu não esteja habituada a ler livros nacionais, mas foge um pouco “do mais do mesmo” e mescla, sem qualquer problema vidas distintas e ordens cronológicas. É uma leitura sutil, daquele tipo de livro que se lê rapidamente mesmo. Em um contexto geral tem um desenvolvimento leve, mas é absurdamente cheio de sinônimos pouco usados – ou seja, “palavras difíceis”, pouco conhecidas – que pode vir a necessitar de um dicionário, se você não for muito próximo deste tipo de escrita.

O que mais me encantou depois de lido, é que a história não deixa de ser próxima de uma realidade. No fim das contas uma realidade que com algumas exceções literárias, é bem possível de acontecer com qualquer pessoa, uma vez que casamentos podem não durar para sempre, ou que a rotina e descontentamentos pessoais podem suprimir a visibilidade do amor entre duas pessoas.

A autora

Leticia Wierzchowski é natural de Porto Alegre – Rio Grande do Sul, e começou na literatura aos 26 anos. É autora de livros como “Um farol no Pampa” e “Sal” (dentre outros), além de nove livros infantis. A consagração da escritora veio com o romance “A Casa das Sete Mulheres” que acabou por virar série da TV Globo, e em 2012, ganhou o Prêmio Açorianos de Literatura, pelo livro “Neptuno”.

Sua opinião

Você já leu este livro? Conta pra mim se ele está na sua lista de leituras desejadas ou já lidas, e se já leu, o que achou.