Resenha: O Corsário Negro – Emílio Salgari

O livro

O Corsário Negro é um livro de Emílio Salgari, publicado pela Nova Cultura na edição Clássicos Juvenis. A edição foi traduzida por Graciela Karman e as ilustrações são de Nico Rosso – sim, o livro contém algumas ilustrações preto e branco em seu escopo. Ao título original de Corsaro Nero, a publicação de 1987, ainda conta com índice no lugar do que atualmente temos como introdução, capa dura e 198 páginas de um romance descrito da maneira mais formal de escrita.

Sobre a obra

Nesta história, acompanhamos o desejo de vingança de um homem chamado Emilio de Roccanera, intitulado como senhor de Valpenta e de Ventimiglia, porém mais conhecido como Corsário Negro, o capitão mais audacioso e valente de todos os flibusteiros. O enredo é todo baseado então nesta busca por vingança deste Corsário sobre o governador da cidade de Maracaibo, conhecido como Wan Gould, após este último ter matado seus irmãos.

Boa parte da história é cheia de conflitos, uma vez que os “homens do mar” e flibusteiros de Tortuga, através da promessa de vingança, entram em constantes batalhas com o exército da Espanha, rendendo assim, perseguições em matas, tiroteios e confrontos entre navios. Todavia não somente de batalhas se vive um livro, e assim sua dose de romance em meio a toda esta guerra não deixar-se-ia faltar. Em apenas um trecho de uma conversa, é possível definir o tipo de romance à época, aplicado neste livro que por si só, já poderá esclarecer o método de escrita empregado (alerta de spoiler):

“ – Não vos atemoriza?

– Essa moça? Não, decerto.

– A mim, sim, uma cigana da minha terra predisse que a primeira mulher que eu amasse me seria fatal.

– Crendices, capitão.

– E se vos disser que a mesma cigana predisse que um dos meus irmãos seria morto por obra de uma traição e os outros dois enforcados?

– E quanto a vós?

– Que morreria no mar, longe da pátria, por causa da mulher amada.”.

(Obs.: não corresponde ao final do livro!)

Minha opinião

A primeira vez que li este livro (2012) achei o desenrolar da história tão bom que resolvi rele-lo – dai por que não reler este ano? – após muito postergar por conta de outros livros. Contudo, a história perdeu bastante do encanto quando reli, talvez porque já conhecia o final, ficando aquela sensação tipo filme de seção da tardem que sabemos que pode até ser bom, mas já perdeu a graça pra uma reprise. Desta vez, pude analisar mais os detalhes da história e apesar da experiência ser diferente da anterior, a leitura em si, e o formato de escrita a qual o livro se compõe ficou mais tranquilo de acompanhar agora do que em 2012.

É um livro bom, antigo – o meu já tem as páginas amareladas – e que peguei na biblioteca da minha escola do ensino médio – a cada ano, eles faziam uma análise dos livros que não estavam mais sendo retirados pelos alunos, e ai disponibilizavam os mesmos para doação, e lá estava este e outros que peguei.

Particularmente eu indico este livro a todos os leitores que desejam uma narrativa diferente, e uma trama cheia de tumultos, já que eu mesma, nunca li outro livro como este. E as ilustrações desta edição, são realmente incríveis.

O autor

Emílio Salgari nasceu em Verona – Itália, em 1862 e morreu em Turim, também Itália, em 1911. Foi e ainda é um dos autores italianos mais traduzidos, e apesar disso não era muito reconhecido pela crítica durante seus 49 anos de vida e publicações. Publicou em vida um número de 90 romances, e após a morte, seus filhos ainda publicara outros 50 títulos escritos pelo autor, incluindo este.

 

Sua opinião

Você já leu alguma outra história parecida com esta ou alguma outra deste escritor?

Resenha: Enquanto houver vida viverei – Julio Emílio Braz

Literatura nacional

O livro

Enquanto houver vida viverei somente pelo título já demonstra sua intenção. É uma história do autor Júlio Emílio Braz, caracterizada como literatura infanto-juvenil e publicado pela FDT em 1992 (2 ª edição) contendo um pouco mais de 60 páginas e incluindo um “roteiro de leitura” com algumas perguntas sobre a história.

Sobre a obra

A história é sobre um garoto que aos 18 anos, enquanto fazia uma corrida de moto pela cidade, sofre um acidente e precisa de uma transfusão de sangue no hospital por conta da gravidade do acidente. Dois anos depois, Tinho – nome dado pelo autor ao personagem (e narrador) – descobre que durante a transfusão de sangue, recebeu um sangue contaminado com o vírus HIV.

A partir de então, a história realmente começa, mostrando todo o drama que envolve a doença, assim como o preconceito com os aidéticos e os medos de convivência. É uma história bem didática, que além de falar sobre a AIDS, abrange toda a vida de um aidético e das pessoas que estão em volta.

Minha opinião

Trata-se de um livro bem curto, mas bem eficiente para gerar informação. Trata de subtemas como o preconceito das pessoas com quem contrai a doença, relacionando o porte ao homossexualismo ou drogados, e é claro que estes dois grupos são considerados os chamados “grupo de risco” ou pelo menos eram, mas isso não significa que sejam os únicos meios de transmissão.

Não a como falar muito do livro sem acabar gerando algum tipo de spoiller, o que é um pouco triste, já que o a história é muito boa, e muito informativa, sendo eficiente para o leitor que não conhece muito sobre a doença e também para quem já tem – creio eu que é uma história que pode dar muita identificação e automotivação.

Há uma informação sobre AIDS que consta no livro, dentre as diversas existentes que eu gostaria de citar aqui, que eu considero indispensável, e que está explicada de uma forma bem simples:

“O que é AIDS?

A AIDS, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, é uma doença provocada por vírus. Vírus é uma minúscula partícula infectante que penetra e se multiplica nas células do organismo. Muitas doenças são causadas por vírus: a gripe, a poliomielite, a rubéola, entre outras. A AIDS, entretanto, é uma doença viral que não tem cura nem vacina para preveni-la, pelo menos por enquanto.

O que causa a AIDS?

O vírus da AIDS tem como característica atacar células essenciais à defesa do organismo, os glóbulos brancos, além do tecido nervoso. O vírus provoca a destruição dos linfócitos, um dos tipos de glóbulos brancos responsáveis pela defesa do nosso corpo contra as infecções.

O organismo atacado pelo vírus da AIDS pode ficar incapaz de se defender, o que permite o desenvolvimento de infecções pelos chamados germes oportunistas, como fungos, protozoários etc., que existem no organismo, mas que normalmente não causam infecção. As infecções pela AIDS atacam especialmente os pulmões, o intestino, o sangue e a pele. É a multiplicação dessas infecções que coloca em perigo a vida do doente com AIDS.”

Vale também escrever aqui que a AIDS não é transmitida pelo convívio social, ou seja, um beijo (saliva) não transmite a doença, assim como morar com um aidético ou abraçar um. O contato só é possível através do contato direto com o sangue ou em relação sexual sem proteção. Outros modos de contágio é nascer com o vírus (no caso, a mãe deve ser portadora) ou em transfusão de sangue e compartilhamento de objetos como seringas – objetos estes que tenham contato direto com o sangue.

Como um portador de HIV pode permanecer assintomático por anos, ou seja, não desenvolver os sintomas da doença, cabe a todos, se protegerem para evitar uma multiplicação indesejada da doença sem querer.

O autor

Júlio Emílio Braz é mineira, nascido em Manhumirim, Minas Gerais, e começou sua carreira profissional por volta dos vinte anos de idade. Ele é um ilustrador e escritor de inúmeras outras histórias infanto-juvenis com esta mesma pegada mais didática.

Sua opinião

A AIDS infelizmente ainda não tem cura, mas alguns preconceitos em relação a doença tanto por parte de quem a tem, como por parte de quem não a tem, estão sendo quebrados. Eu nunca conheci pessoalmente alguém que tivesse, não que eu saiba pelo menos, mas eu entendo que falar sobre a doença é uma ação necessária considerando os índices de infecção. Então, como você acha que estamos nos desenvolvendo em relação a doença?