Resenha: Juntos para sempre – W. Bruce Cameron

Continuação do livro “Quatro vidas de um cachorro” sucesso já adaptado aos cinemas.

 

O livro

Continuação da obra Quatro vidas de um cachorro e mantendo o gênero de romance americano, o autor W. Bruce Cameron parte da continuidade da vida de Amigão, após a morte de Ethan no fim do livro anterior. Seguindo o mesmo tom de envolvimento e pensamento do cachorro protagonista, segue-se uma nova história, com mais três vidas e infinitamente ligado a tudo o que já foi contado.

Publicado novamente pela Harper Collins e traduzido por Carolina Caires Coelho, A Dog’s Journey ou Juntos para Sempre na edição brasileira de 2018, possui cerca de 320 páginas e um copyright de 2012, entendendo-se que se esperou que o filme de 2016 baseado no livro anterior, fizesse sucesso para dar continuidade nas publicações – em 2019 já tem previsão de sequência cinematográfica para esta história.

Sobre a obra

Parte-se do que aconteceu após a morte de Ethan. Amigão, um labrador preto, permanece com Hannah, até que sua velhice e um câncer, chega para lavá-lo deste mundo, fazendo o cachorro crer finalmente, que sua missão com o “seu menino” havia chegado ao fim e, portanto, agora ele descansaria. Antes de morrer porém, Amigão convive com Clarity, uma pequena garota (com no máximo 2 anos de idade) neta de Hannah, e da qual o cachorro se sente responsável.

Clarity é uma garota, agora adolescente, bem problemática, com uma mãe que além de não gostar de cachorros, é mais problemática ainda – chamada Glória. O enredo também possui como participante humano, o amigo de Clarity, Trent, ao qual o cachorro gosta muito.

Tendo um apelo mais dramático para o lado humano e não canino da história, todas as vidas do amável cão, giram de um forma ou outra, em torno de Clarity e seus problemas constantes, começando já como “Bigão” – maneira carinhosa como a menina o chamava quando se conheceram na fazenda e ela ainda mal falava.

Na primeira vida após Amigão, tem-se a Molly. Por ser um vira-lata (mistura de Poodle com alguma outra raça desconhecida, porém grande) a cadelinha recém-nascida vai parar aos cuidados de uma senhora que trata s ela e seu irmão até que possam ser adotados. Molly vai parar com Clarity, e seu irmão, com Trent. Nesta vida, o cão descobre os reais perigos que os humanos podem representar e suas inconstâncias.

Em uma morte conturbada, Molly retorna agora como Max, outro vira-lata, de provável mistura entre Chihuahua com York Shire, e novamente está para adoção. A vida de Clarity continua parecendo uma catástrofe, e seu tamanho agora como Max,  não permite cuidar da sua garota como antes, e Max precisa aprender a seguir seu propósito de vida sendo uma miniatura de cachorro brabo.

Por fim, em sua última vida, ele se torna um Beagle chamado Toby. O nome, igual ao dado a ele em sua primeira vida, o remete novamente ao fim de um ciclo, e ao cumprimento de seu propósito como o cachorro bonzinho de Ethan e depois o companheiro fiel de Clarity.

Minha opinião

É uma história tão linda que eu praticamente devorei este livro, lendo-o em 24 horas! O drama envolvendo mais a vida da dona do que a vida do cachorro, não desmerece a atual história ou o enredo anterior, mas trata o aprendizado do cachorro de uma maneira diferente, por exemplo, na primeira trama ele aprendia a amar, sentar e salvar, e agora, toda a complexidade dos problemas, as doenças que afetam as pessoas e os conflituosos sentimentos precisam ser distinguidos para que ele possa ser o cachorro amigo que sua dona precisa.

Um fato que notei ser comum no livro e que divide opiniões na realidade é a eutanásia. A história trata este ato como carinho do dono para com seu animalzinho, como meio de abrandar a passagem do animal e acabar com um sofrimento inevitável. Fora a questão da classificação para os cachorros que estão em abrigos e acabam por ser sacrificados por não serem considerados “adotáveis”.

Com certeza esta duologia entrará na minha lista de livros que mais gostei de ler e certamente também de livros que pretendo reler, apesar do segundo livro (este) me dar a sensação de erros de concordância e pontuações em algumas partes da tradução, que incomodam um pouco a leitura.

Juntos para sempre (2)

 

O autor

Bruce Cameron vive em Los Angeles, Califórnia. É um escritor, colunista e humorista que viu seu trabalho ser rejeitado por muitos anos até que Quatro vidas de um cachorro foi publicado e se manteve dezenove semanas na lista de Best-Sellers do New York Times. Cameron também participou dos bastidores da filmagem do filme inspirado no seu primeiro livro, e tudo indica que nas filmagens desta sequência, sua participação vai se repetir.

Resenha: Quatro vidas de um cachorro – W. Bruce Cameron

O livro que inspirou o filme!

O livro

Quatro vidas de um cachorro ou A Dog’s Purpose pelo título original é uma criação de W. Bruce Cameron, no ano de 2010, mas que ficou mundialmente conhecido a partir do ano de 2016 através de um filme baseado neste livro. A edição que possuo é a de 2016, com a capa do filme ao invés da capa original do livro. A publicação desta história foi realizada pela editora Harper Collins com um excelente material – como já é característico da editora – e o livro de 285 páginas foi traduzido por Regina Lyra e faz o gênero de romance americano apesar de contar a história de um cachorro.

Sobre a obra

Quatro vidas de um cachorro é uma história de certa forma inspiradora e muito emocionante, além de original já que tudo é narrado por um cachorro. Acompanhamos este cachorro em quatro vidas diferentes, do nascimento a morte, sofrendo e amando junto com este olhar canino sobre os humanos e a busca pelo seu propósito de vida.

A primeira vida deste cachorro não é fácil. Ele é um vira-lata que nasceu nas ruas e precisa aprender a se virar. Acaba por ser acolhido por um senhora que o chamou de Toby, mas que infelizmente, como é a realidade de quem acolhe muitos cachorros de rua sem um apoio estrutural e financeiro maior, não tinha muitas condições de criá-lo – a ele ou aos outros.

A segunda vida é marcada com muito amor, carinho, dedicação e aventuras. Toby, agora um Golden Retriever, se torno Bailey. O cachorro é criado por um menino chamado Ethan e os dois ficam inseparáveis até a morte de Bailey, já idoso. Ao final desta segunda vida, há o seguinte trecho em que o veterinário conversa com o cachorro:

“Você pode se entregar, Bailey, Você fez um ótimo trabalho, cuidou do menino. Essa era a sua função, Bailey, e você se saiu muito bem. Você é um bom cachorro, um cachorro muito bom.

Tive a sensação de que o moço bonzinho falava da morte.”

Pensando então que seu propósito estava cumprido, como disse o veterinário, Toby/Bailey renasce novamente, mas agora como Ellie, uma Pastor Alemão que cresceu sendo treinada para trabalhar com policiais no resgate de vitimas. Ellie terá uma boa vida, será bem cuidada e além de salvar vitimas no seu trabalho, também terá o papel funcional na vida de sua dona e policial.

Novamente, sem entender o porquê de estar nascendo novamente, Toby/Bailey/Ellie retorna como um labrador preto com predigree, que foi comprado de presente a uma mulher que o nomeou de Urso. Todavia, a mesma não podia ficar com o animal e o deixou na casa de sua mãe, onde ele não era desejado e assim foi abandonado. A partir daí, ele entende que seu propósito de vida é cuidar de Ethan, e embarca numa busca pelo menino que já não é mais um menino.

Quatro vidas de um cachorro

Livro: Quatro vidas de um cachorro Foto: @literalmenteadicto

Minha opinião

Para quem já viu o filme e está lendo esta resenha, notará algumas diferenças que não estragam ou melhoram nenhum ou outro. Claro que todo o contexto e essência são os mesmos, mas criou-se uma originalidade tanto para o filme como para o livro, que é impossível dizer qual dos dois é o melhor. Quatro vidas de um cachorro é simplesmente uma história incrível.

Seja como Toby, Bailey, Ellie ou Urso a maneira divertida como o cachorro enxerga os humanos, o amor e fidelidade que é capaz de sentir, ou dores que é capaz de sofrer, tornam esta história uma leitura obrigatória para quem tem um animal de estimação (ou já teve). Ainda ouso dizer que apesar de tudo, um cachorro ou qualquer outro animalzinho, pode ao mesmo tempo em que é amado, como o livro demonstra, sofrer nas mãos dos humanos tendo um “lar” muito mais do que sofrer nas ruas com o abandono.

É possível rir e chorar com este livro, e por isso eu o considero extremamente bom, fora que nesta narrativa, sabemos apenas o pensamento do cachorro, não havendo “conversas” de cachorros com cachorros ou outros animais, ou seja, sai do padrão mais infantil de animais falantes para um pura e simples consciência narrando seu aprendizado, suas curiosidades, e seus questionamentos, através de seu próprio raciocínio. A exemplo disto, é quando o cachorro como Bailey, precisa aprender onde deve e onde não fazer suas necessidades.

O autor

Bruce Cameron é colunista de humor e já teve seu trabalho premiado duas vezes. Vive na Califórnia e tentou por muitos anos, publicar uma história sua, tendo muitos de seus livros rejeitados por editoras até conseguir emplacar este. W. Bruce Cameron também é autor de “Juntos para Sempre” que é a continuação desta história.

Ao final dos agradecimentos deste livro, Cameron deixa uma mensagem que eu gostaria de registrar aqui:

“[…] louvo o sacrifício e o infindável trabalho duro dos vários homens e mulheres que labutam no resgate de animais, ajudando os perdidos, os abandonados e os maltratados a descobrirem vidas novas e felizes com famílias amorosas. Vocês todos são anjos.”

 

Resenha: Eu e você no fim do mundo – Siobhan Vivian

O livro

“The last boy and girl in the world” ou apenas “Eu e você no fim do mundo” é um romance americano mais adolescente. São 368 páginas de uma narrativa cheia de paixões, amizades, dúvidas, esperanças, aventuras e problemas, contados por uma adolescente de 17 anos, moradora da cidade de Aberdeen. A editora que nos traz este livro é a Intrínseca, com edição de 2017, e tradução de Glenda D’Oliveira.

Sobre a obra

Antes de iniciar a leitura da história há a seguinte frase: “Inspirado em fatos reais”; e como toda história com um fundo explícito assim, de verdade, não é possível haver um final “100% felizes para sempre”, já que a realidade não é um conto de fadas.

A história então tem sua narrativa a cargo da protagonista Keeley, 17 anos, moradora da cidade de Aberdeen desde sempre – a família de seu pai, vive lá, desde o inicio da cidadezinha. A garota possui como melhor amiga, uma garota chamada Morgan, e uma “segunda melhor amiga” chamada Elise. Como toda adolescente, Keeley tem uma paixão por Jesse Ford, o garoto mais popular da escola, desde o ensino fundamental, mas nunca se falaram.

Toda a história acontece porque a cidade de Aberdeen, está enfrentando fortes chuvas e alagamentos, e a divisão de capítulos se dá por boletins meteorológicos, que variam entre manhã, tarde e noite, conforme os acontecimentos da história. Contudo, com tantas chuvas e alagamentos, os moradores acabam por ser obrigados a sair de suas casas, e alguns, acabam por perder tudo o que possuem, e assim, o fim do Aberdeen pode estar próximo.

A cidade será submersa, e Keeley precisará tomar coragem para falar com sua paixão adolescente, Jesse, antes que todos tenham que ir embora e eles nunca mais se vejam. Mas como chegar no garoto mais incrível do terceiro ano? Quanto tempo resta a Keeley? E a Aberdeen?

Minha opinião

Li este livro em um pouco mais de três dias, pois é uma história que para mim fluiu bem leve. Não houveram fatos mascarados, julgamentos prévios, ou um final claro, pois as informações são dadas ao leitor, conforme a protagonista também as descobre. Um fato que achei bem interessante foi que, o livro começa uma parte do final antes de iniciar a história do começo realmente, e conforme ele vai se desenvolvendo, eu pelo menos, tentei e montei diversos enredos que no fim, não se concretizaram.

Não aplico sistema de notas as minhas leituras, mas se aplicasse, talvez este livro, ganhasse um 3,8 ou 4 de 5, uma vez que ele não é nada ruim, e flui bem, mas ele não tem nada de novo, é mais do gênero no final das contas, apesar de tentar buscar meios de inovar, e talvez muitos leitores abandonem esta leitura em um momento ou dois.

De qualquer modo, eu simpatizei com os personagens ou com a maioria deles, e considerei muitas relações bem verdadeiras. Em certos momentos achei a protagonista meio forçada, em sua personalidade durante a leitura, mas neste momento já acho bem possível. Os acontecimentos que a cercam, em certos pontos, justificam algumas atitudes. Assim, indico esta leitura para quem gosta do gênero, mas não sei se pode servir como um experimento inicial de alguém.

A autora

Siobhan Vivian é a Nova Iorquina e é formada pela Universidade de Artes da Filadélfia – University of the Arts – seu curso foi de roteirista de cinema e TV, e acabou atuando como editora de livros e roteirista do canal da Disney – Disney Channel. Entretanto, atualmente dá aulas de escrita literária com temática jovem na Universidade de Pittsburgh. Siobhan Vivian também é autora de outros romances como “The List” (A Lista), de 2012.

Sua opinião

Romance americano e adolescente faz seu estilo de leituras?

Resenha: Sr. Holmes – Mitch Cullin

O HOMEM POR TRÁS DO MITO – O livro que inspirou o filme estrelado por Ian McKellen

O Livro

Sr. Holmes é uma história criada por Mitch Cullin, portanto não é a parte da obra Sherlock Holmes de Arthur Conan Doyle, mas que não deixa de ser sobre o detetive. A moral aqui é que Micth Cullin traz uma narrativa pelo olhar do próprio Holmes de agora, 93 anos de idade – inclusive a diminuição de sua perspicácia e faro de detecção. Contudo, ainda permanecem traços como a confiança na evidência, a lógica e a falta de demonstração de afeto já características do personagem.

O livro é uma literatura americana com publicação da editora Intrínseca e tradução de Alexandre Raposo. A edição é de 2015 ao título original de “A Slight Trick of the Mind” e possui 240 páginas, que dividem a história em três partes.

Sobre a obra

Em Sr. Holmes o nosso famoso detetive se vê saindo de Londres em busca de uma vida mais tranquila, longe da fama que as publicações de seus casos, por parte do Dr. Watson, trouxa a sua vida. Agora Holmes vive em um lugar chamado Sussex, com uma empregada e o filho dela, Roger, ao qual Holmes acaba por se apegar, mesmo sem notar. O personagem também cria abelhas, tendo o motivo da criação deste hábito, revelado bem no finalzinho do livro.

Uma coisa é necessária saber sobre este livro: a narrativa se aplica a três épocas diferentes para se completar um tipo de círculo de memória do detetive, ou seja, haverá partes sobre a vida em Sussex, sua época de detetive e uma determinada viagem de conhecimento. Todavia, a separação das partes se faz de maneira mais clara possível.  Às vezes em capítulos diferentes, ou seja, dedicados aquele tema exclusivamente, e às vezes em narrativas mistas, onde é trazida a tona por lembranças em determinadas situações por parte do personagem, mas sem embaralhar a cabeça do leitor.

Como disse antes, a história é narrada pela visão de Sherlock, e durante esta narrativa, notamos como a mente dele o dribla em fatos recentes principalmente e em como ele lida com os fatos atuais. Não é uma história cheia de mistérios e casos para desvendar, cabe ressaltar que o que há na trama, é sucinto e adequado as suas capacidades físicas e mentais por conta de idade. Temos aqui um Sherlock Holmes muito mais pensativo de suas ações, e talvez até mais aberto.

Minha opinião

Esta história foi a inspiração para um filme de mesmo nome, lançado em 2015 e interpretado pelo ator Ian McKellen, caso você deseje assistir ao filme primeiro. Apesar de ter começado a assistir ao filme – mas nunca pós-metade – eu gostei do livro, pois acredito que seja difícil tratar a obra de A. C. Doyle com o verdadeiro respeito à história que tanto se consolidou com o passar do tempo, e aqui, Mitch de certa forma continua a vida de Holmes, como se fosse um livro sequência mesmo, dando certa “jovialidade” na história.

Não é um livro que se enreda no desenvolvimento, mas também não é um livro que te faça sentar e ler de uma vez só, e isso não quer dizer que não seja um bom livro, apenas temos uma vida pacata, de um senhor de idade, que vislumbra histórias passadas e, portanto, sua realidade atual não é tão mais emocionante e por isso, o livro não possui aventuras.

Sobre o autor

Mitch Cullin nasceu no Novo México, mas hoje mora em São Gabriel, na Califórnia. É considerado como um autor que produz em grade quantidade, uma vez que além de livros, também produz inúmeros contos e auxilia nos projetos do artista visual Peter I. Chang.

Sua opinião

Você já leu este livro? Conta pra mim se ele está na sua lista de leituras desejadas ou já lidas, e se já leu, o que achou.