Resenha: Quatro vidas de um cachorro – W. Bruce Cameron

O livro que inspirou o filme!

O livro

Quatro vidas de um cachorro ou A Dog’s Purpose pelo título original é uma criação de W. Bruce Cameron, no ano de 2010, mas que ficou mundialmente conhecido a partir do ano de 2016 através de um filme baseado neste livro. A edição que possuo é a de 2016, com a capa do filme ao invés da capa original do livro. A publicação desta história foi realizada pela editora Harper Collins com um excelente material – como já é característico da editora – e o livro de 285 páginas foi traduzido por Regina Lyra e faz o gênero de romance americano apesar de contar a história de um cachorro.

Sobre a obra

Quatro vidas de um cachorro é uma história de certa forma inspiradora e muito emocionante, além de original já que tudo é narrado por um cachorro. Acompanhamos este cachorro em quatro vidas diferentes, do nascimento a morte, sofrendo e amando junto com este olhar canino sobre os humanos e a busca pelo seu propósito de vida.

A primeira vida deste cachorro não é fácil. Ele é um vira-lata que nasceu nas ruas e precisa aprender a se virar. Acaba por ser acolhido por um senhora que o chamou de Toby, mas que infelizmente, como é a realidade de quem acolhe muitos cachorros de rua sem um apoio estrutural e financeiro maior, não tinha muitas condições de criá-lo – a ele ou aos outros.

A segunda vida é marcada com muito amor, carinho, dedicação e aventuras. Toby, agora um Golden Retriever, se torno Bailey. O cachorro é criado por um menino chamado Ethan e os dois ficam inseparáveis até a morte de Bailey, já idoso. Ao final desta segunda vida, há o seguinte trecho em que o veterinário conversa com o cachorro:

“Você pode se entregar, Bailey, Você fez um ótimo trabalho, cuidou do menino. Essa era a sua função, Bailey, e você se saiu muito bem. Você é um bom cachorro, um cachorro muito bom.

Tive a sensação de que o moço bonzinho falava da morte.”

Pensando então que seu propósito estava cumprido, como disse o veterinário, Toby/Bailey renasce novamente, mas agora como Ellie, uma Pastor Alemão que cresceu sendo treinada para trabalhar com policiais no resgate de vitimas. Ellie terá uma boa vida, será bem cuidada e além de salvar vitimas no seu trabalho, também terá o papel funcional na vida de sua dona e policial.

Novamente, sem entender o porquê de estar nascendo novamente, Toby/Bailey/Ellie retorna como um labrador preto com predigree, que foi comprado de presente a uma mulher que o nomeou de Urso. Todavia, a mesma não podia ficar com o animal e o deixou na casa de sua mãe, onde ele não era desejado e assim foi abandonado. A partir daí, ele entende que seu propósito de vida é cuidar de Ethan, e embarca numa busca pelo menino que já não é mais um menino.

Quatro vidas de um cachorro

Livro: Quatro vidas de um cachorro Foto: @literalmenteadicto

Minha opinião

Para quem já viu o filme e está lendo esta resenha, notará algumas diferenças que não estragam ou melhoram nenhum ou outro. Claro que todo o contexto e essência são os mesmos, mas criou-se uma originalidade tanto para o filme como para o livro, que é impossível dizer qual dos dois é o melhor. Quatro vidas de um cachorro é simplesmente uma história incrível.

Seja como Toby, Bailey, Ellie ou Urso a maneira divertida como o cachorro enxerga os humanos, o amor e fidelidade que é capaz de sentir, ou dores que é capaz de sofrer, tornam esta história uma leitura obrigatória para quem tem um animal de estimação (ou já teve). Ainda ouso dizer que apesar de tudo, um cachorro ou qualquer outro animalzinho, pode ao mesmo tempo em que é amado, como o livro demonstra, sofrer nas mãos dos humanos tendo um “lar” muito mais do que sofrer nas ruas com o abandono.

É possível rir e chorar com este livro, e por isso eu o considero extremamente bom, fora que nesta narrativa, sabemos apenas o pensamento do cachorro, não havendo “conversas” de cachorros com cachorros ou outros animais, ou seja, sai do padrão mais infantil de animais falantes para um pura e simples consciência narrando seu aprendizado, suas curiosidades, e seus questionamentos, através de seu próprio raciocínio. A exemplo disto, é quando o cachorro como Bailey, precisa aprender onde deve e onde não fazer suas necessidades.

O autor

Bruce Cameron é colunista de humor e já teve seu trabalho premiado duas vezes. Vive na Califórnia e tentou por muitos anos, publicar uma história sua, tendo muitos de seus livros rejeitados por editoras até conseguir emplacar este. W. Bruce Cameron também é autor de “Juntos para Sempre” que é a continuação desta história.

Ao final dos agradecimentos deste livro, Cameron deixa uma mensagem que eu gostaria de registrar aqui:

“[…] louvo o sacrifício e o infindável trabalho duro dos vários homens e mulheres que labutam no resgate de animais, ajudando os perdidos, os abandonados e os maltratados a descobrirem vidas novas e felizes com famílias amorosas. Vocês todos são anjos.”

 

Resenha: Box Sherlock Holmes – Arthur Conan Doyle

O box

O box traz a literatura completa de Sherlock Holmes, escrita por Arthur Conan Doyle. É dividido em quatro livros, sendo todos em capa dura (inclusive a caixa), o que dá um peso de mais ou menos três quilos ao todo e mil oitocentas e oito páginas. Esta edição pertence a Harper Collins, que não poupou suas capacidades para tornar este conjunto, uma boa leitura, deixando as histórias bem divididas e não sendo maçante nenhuma das leituras.

Todavia, o nível de qualidade dos enredos acaba por ir minguando aos poucos, sendo: o primeiro livro complexo no que tange o entendimento de quem é e todas as capacidades de Holmes; o segundo buscando um alto nível de complexidade de dados para que o leitor tenha dificuldade de aplicar os métodos e solucionar os casos antes do fim da história; o terceiro tentando manter um nível equilibrado com os anteriores, com bons casos, mas com soluções já mais básicas; e por fim, o quarto livro, onde com um pouquinho de atenção aos detalhes e imaginação, já se torna possível criar hipóteses juntamente com o andamento da história.

Descrição da editora:

“Em 1887, o escritor escocês sir Arthur Conan Doyle criou Sherlock Holmes, o infalível detetive a quem os agentes da Scotland Yard recorriam para solucionar os mistérios mais intrigantes da Inglaterra vitoriana. Desde então, as aventuras do mestre da investigação atraem leitores ávidos por chegar à última página e ter o enigma desvendado. Esta obra completa reúne os quatro romances e os 56 contos sobre as aventuras do detetive mais famoso do mundo e de seu fiel companheiro dr. Watson. Para desvendar mistérios, o faro e a astúcia de Sherlock Holmes levam às fontes menos óbvias, às informações mais precisas. Um modelo que influencia até hoje a literatura policial e revela fôlego para impressionar gerações de leitores através do tempo.”

A divisão nos livros fica a seguinte:

  • Volume I (verde- 512 páginas) contém dois romances e onze contos

Divido em “Um estudo em vermelho” (1887 – primeira e segunda parte), “O sinal dos quatro(1890) e “As aventuras de Sherlock Holmes” (1892) o livro começa apresentando ao leitor quem é o Dr. Watson, e como ele acabou por conhecer Sherlock Holmes. Traz casos que realmente não parecem ter solução até que sir Holmes apresente sua base de fatos e deduções para aquelas conclusões, tendo um nível de envolvimento alto, pois como são histórias  narradas pelo Dr. Watson, a apresentação dos dados, é exibida conforme vai se desvendando.  A apresentação dos romances, possui uma narrativa própria, apresentando uma alteração no modo como a história é contada.

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Sherlock Holmes Vol. 1 – Harper Collins @literalmenteadicto

  • Volume II (azul – 400 páginas) contém onze contos e um romance

Apresentado através da divisão “Memórias de Sherlock Holmes” (1894) e “O cão dos Baskerville” (1902) tem-se um acontecimento inesperado para os leitores de A. C. Doyle: o desaparecimento de Holmes em meio a uma fuga da morte ao qual o detetive se envolveu, uma vez que estava atrás do mais criminoso de Londres, deixando a entender que chegara o final dos contos e romances. A trama toda possui um alto nível de complexidade e detalhes que torna de certa forma, mais complexo a tentativa do leitor de elucidar os casos conforme as informações vão surgindo.

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Sherlock Holmes Vol. 2 – Harper Collins @literalmenteadicto

  • Volume III (amarelo – 472 páginas) contém treze contos e um romance

“A volta de Sherlock Holmes” (1905) e “O vale do medo” (1915) (este último contendo primeira e segunda parte), soluciona o mistério que o livro anterior deixou sobre a possível morte de Holmes. Metade do livro são contos que envolvem a sua volta a Baker Street, e a outra metade é um conto cheio de excentricidades, que não poderia ter mais alterações ou cursos diversos, possíveis! Este terceiro livro, ou esta continuação de contos, somente se deu por vontade do público leitor de A. C. Doyle, que queriam saber mais sobre o detetive e sobre os acontecimentos de seu desaparecimento.

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Sherlock Holmes Vol. 3 – Harper Collins @literalmenteadicto

  • Volume IV (vermelho- 424 páginas) contém vinte contos

Se divide em “Os últimos casos de Sherlock Holmes” (1917) e “Histórias de Sherlock Hokmes” (1927), sendo a primeira parte, contos que se passara após a aposentadoria de Holmes, onde o mesmo se mudou para uma casa reclusa nos morros, e vive de tentar narrar suas próprias aventuras e criar abelhas. Nestes contos, lemos algumas investigações que Holmes participou após sair de Baker Street, e antes de se aposentar definitivamente por conta da idade avançada. Já na segunda parte de contos, é apresentado ao leitor, as investigações que conforme a narrativa do próprio Dr. Watson, não podiam na época que ocorridas, serem publicados, e portanto, são apenas memórias de casos. Neste livro, Arthur Conan Doyle prepara o leitor para o fim do detetive Sherlock Holmes, e nota-se que as histórias por mais que ainda sejam boas, não atingem mais o mesmo nível de mistério e soluções mirabolantes, ficando mais previsíveis, o que demonstra o desejo do escritor em parar de escrever sobre.

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Sherlock Holmes Vol. 4 – Harper Collins @literalmenteadicto

Tanto os contos de Sherlock Holmes, como as histórias possuem o mérito de serem lidas mesmo com o passar do tempo, e apesar de se passaram por volta de 1890 em uma Londres com carruagens e charretes, não há uma escrita pesada, e a complexidade dos casos ao qual nosso querido detetive se envolve é fascinante. Ao terminar as leituras fiquei pensando em como seria Sir Sherlock Holmes, com toda sua elegância, ar de superioridade e memória seletiva, nos dias atuais.

O autor

Citarei a nota que aparece em todos os livros desde box pois compila de maneira clara, objetiva e concisa quem foi o criador destas histórias incríveis.

“Arthur Conan Doyle nasceu em 22 de maio de 1859, em Edimburgo, capital da Escócia. Em 1876, ingressou na Universidade de Edimburgo, no curso de medicina. Foi lá que conheceu o dr. Joseph Bell, cujos surpreendentes métodos de dedução e análise foram de grande influência na futura criação de seu detetive.

Além do dr. Bell, Doyle se inspirou em Émile Gaboriau e no detetive Dupin – de Edgar Alan Poe – para conceber a primeira versão do que seria o personagem que conhecemos hoje: um tal de Sherringford Holmes, posteriormente Sherlock Holmes.

Depois de muitas tentativas e frustrações, em 1887 Doyle conseguiu que sua primeira história com o detetive, Um estudo em vermelho, fosse publicada. A boa aceitação do público o levou a escrever a segunda história de Holmes, O sinal dos quatro.

Doyle acabou abandonando a medicina para segui definitivamente a carreira literária. As histórias de Sherlock Holmes tornaram-se mais e mais populares, obrigando o autor a continuar criando casos para seu detetive. E, quanto mais Holmes expunha suas habilidades para um público estupefato, mais obscurecidas ficavam as outras obras de Doyle.

[…] Debilitado por um ataque cardíaco, sir Arthur Conan Doyle morreu em 7 de julho de 1930, em Crowborough, condado de Sussex, na Inglaterra. “