Resenha: Elogia da Madrasta – Mario Vargas Llosa

~Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura~

O livro

Elogio de la Madrasta publicado inicialmente em 1983, envolve três personagens principais: a madrasta, o pai e o filho relativamente pequeno. A edição de 2009 publicada pelo editora Alfaguara conta com 159 páginas e a tradução do título uruguaio é feita por Ari Roitman e Paulina Wacht, marcando o inicio do autor na literatura erótica.

Sobre a obra

Casada a quatro meses com Don Rigoberto, um gerente de seguros e homem meticuloso com sua aparência, Lucrécia teme ser rejeitada na família pelo filho do marido, o menino Alfonso, que era muito apegado a mãe, Eloisa.

Após a morte da esposa, Don Rigoberto encontra em Lucrécia, o prazer da vida, tanto no amplo âmbito conjugal, como na especificidade do sexo, e para Lucrecia, vindo de um casamento anterior conturbado, nada poderia ser melhor aos 40 anos. O menino, Alfonso, com seus olhos claros mais parece um anjo, e ao que demonstra, gosta muito da madrasta, contrariando as opiniões das pessoas ao seu redor, que diziam que ela jamais seria aceita na família pelo menino.

Misturando divagações mitológicas adaptadas a trama com o desenrolar da relação principalmente da madrasta com o enteado, Mario Vargas Llosa, insere conotações e atos sexuais um tanto sutis em sua maioria, em momentos realmente espantosos, impactando o leitor de inúmeras maneiras, revelando um final surpreendente e fazendo desta, uma leitura sagaz, complexa e extremamente intrigante.

O elogio da madrasta (4)

Minha opinião

Quando me indicaram este livro, não acreditei para ser sincera, na capacidade literária que eu tinha em mãos. Realmente, a trama toda possui um tipo de tensão absurda pelos fatos aos quais nos descreve, insinuando conjecturas que ou o deixam irritadiço ou o deixam pasmo – que foi o meu caso – mas invariavelmente serão surpreendidos.

A inserção de contos mitológicos, modificados, para supor que são relacionados diretamente aos personagens, no inicio, me causava estranheza, pois não conseguia encaixar a trama principal na mitologia, ou vice e versa, porém aos poucos, as sutis conexões foram florescendo. Por mais conotações sexuais que o livro possua, o mesmo não se encaixa completamente em uma classificação “Hot”, tratando-se de um romance nada puritano – quero dizer que não se parece em nada com os títulos mais conhecidos atualmente.

O autor

Nascido em Arequipa, no Peru, em 1936, Jorge Mario Pedro Vargas Llosa, é jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário. É um dos mais conhecidos e prestigiados escritores, ganhando diversos prêmios por sua extensa carreira, inclusive o cobiçado Prêmio Nobel de Literatura. Llosa também lecionou em diversas universidade norte-americanas, e em 1990, candidatou-se à presidência do Peru, mas acabou perdendo as eleições.

Obras do autor publicadas pelo editora Alfaguara:

– A cidade e os cachorros;

– Pantaleão e as visitadoras;

– Tia Julia e o escrevinhador;

– A guerra do fim do mundo; e

– Travessuras da menina má.

Resenha: A Filosofia na Alcova – Marquês de Sade

A Filosofia na Alcova ou Preceptores imorais

O livro

História escrita por Donatien Alphonse François de Sade, mais conhecido como Marquês de Sade, em 1795, a edição da Iluminuras de 2015 conta com tradução, posfácio e notas de Contador Borges, e faz parte de uma coleção de obras traduzidas de Marquês de Sade, intitulada como “Pérolas Furiosa” transgredindo ao português as principais histórias do autor definas como “pornografia, romance francês, e obras de século 18”. A edição possui 255 páginas e a apresentação de seu enredo tem como característica, ser apresentada em conversações/diálogos entre os envolvidos.

Sobre a obra

Tratados como “os libertinos” – denominação dada aqueles que vivem do prazer oriundo do sexo e suas variâncias – a Senhora de Saint-Ange solicita a um certo banqueiro que disponha sua filha de 15 anos à sua casa por poucos dias para que a mesma seja iniciada no mundo da libertinagem, como ela mesmo foi e como ele (pai e banqueiro) faz parte. Assim, concedido o pedido, Senhora de Saint-Ange aguarda a senhorita Eugénie em sua casa, e trama conjunto a seu irmão o Cavaleiro de Mirvel, o modo como Eugénie será devidamente educada. O Cavaleiro por sua vez, encontra um terceiro libertino, mais libertino que a todos os outros para auxiliá-los nesta situação, chamado Dolmancé.

Inserindo novos personagens em determinados momentos da história e os retirando logo que sua presença se torna inútil aos ensinamentos da senhorita, em meio a teorias e práticas, o trio, porém principalmente Dolmancé e a Senhora de Saint-Ange, ensinam e aprendiz que o que é a libertinagem, como ser libertina e o que está errado na atual sociedade. Nestes ensinamentos tem-se discussões sobre: como e porquê Deus não existe; a quem os libertinos se remetem; como se precaver de doenças e gravidez indesejada; como mesmo com um casamento, seguir a vida de libertinagem ainda é possível; os meios mais libertinos de se conseguir prazer (incluindo aqui a prática de como fazer); como a natureza do ser humano enxerga os atos cometidos por um indivíduo em detrimento de seu prazer que são considerados crimes na sociedade (a exemplos têm-se o assassinato, a agressão, o estupro, o incesto ou qualquer outra violação física e moral); e muitos outros questionamentos que no século atual, se expostos de tal maneira, seriam no minimo polêmicos.

Toda o enredo, se passa dentro de uma alcova que nada mais é que um quarto, onde os personagens além de filosofarem sobre os desejos humanos, sobre os chamados por eles de preconceitos morais e sem fundamentos em que esta inserida toda a sociedade, ainda praticam orgias, contextualizando posições em que todos eles possam estar conectados e terem prazer ao mesmo tempo – a esta edição, trazem-se ilustrações de tais posições. Outra questão impactante da história, é o modo como a mãe de Eugénie é vista pelos preceptores e após, pela própria.

Trazendo uma visão de liberdade individual, sexualismo e doutrinas/aprendizados, o livro se propõe a tentar quebrar os ensinamentos aprendidos em sociedade. criticando à época o governo em seu contexto amplo de leis e deveres com os cidadãos, além de, claro, insinuar a liberdade sexual de homens e mulheres, tornado a um, objeto sexual do outro, e vice-versa, sem pormenores.

A tradução feita por Contador Borges, traz em posfacio, uma analise de todos os detalhes aludidos no enredo, contextualizando e comparando Marquês de Sade, A Filosofia na Alcova, e outras obras de escritor de mesmo gênero, das quais fazem parte da Coleção Pérolas Furiosas, dando ao leitor que chegou ao final do livro, um ótica menos ficcional e mais abrangente. As ilustrações, diga-se de passagem, por mais que não aludem todas as cenas, dão a muitas, um entendimento necessário do que Sade quis transparecer.

O autor

Donatien Alphonse François, nascido em 02 de junho de 1740, em Paris, teve um vida extremamente tumultuada. Foi casado e divorciado, foi preso inúmeras vezes e condenado a morte em outras tantas passando por diversas prisões, terminou sua vida em um hospício, em 02 de dezembro de 1814. Criou e trabalhou em peças de teatro, teve filhos com sua esposa – a quem se casou a contragosto – e também com uma criada. Viveu inúmeros prazeres da vida, sendo um libertino assumido e por vezes condenado por isto. Foi um homem de status social e também um fugitivo de dividas e problemas com a justiça.

Suas principais e mais famosas obras traduzidas para a gerar a Coleção Pérolas Furiosas, são:

  • A Filosofia na Alcova;
  • Justine;
  • Os infortúnios da virtude;
  • Os 120 dias de Sodoma.